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 Real Jardim Botânico

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AutorMensagem
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Patrono : Fênix
Bicho-papão : Diretor

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Escola/Casa: Corvinal
Ano Escolar: Concluído
Varinha:

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MensagemAssunto: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeSeg 14 Jan 2013 - 19:48

Relembrando a primeira mensagem :

Real Jardim Botânico

Edimburgo, Escócia


Real Jardim Botânico - Página 4 JbrEsaFzu6e3R7

O Jardim Botânico Real de Edimburgo é uma instituição científica e uma atração turística. Foi fundado em 1670 como um jardim para o cultivo de plantas medicinais, utilizadas pelos médicos como remédios nos séculos anteriores ao século XX. Atualmente está localizado em quatro diferentes regiões da Escócia: Edimburgo, Dawyck, Logan e Benmore – cada uma delas com suas coleções especiais de plantas.

Fonte: Wikipédia

OBS.: Local protegido pela lista de Lugares Protegidos



RPGHogwarts.org


Alvoros Grunnion
Diretor da Escola de Magia e Bruxaria de  Hogwarts


Ações
- Falas
"Falas de outros personagens"
"Pensamentos"
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AutorMensagem
Chloe Sinclair Jinxed
Corvinal
Corvinal
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Escola/Casa: Corvinal
Ano Escolar: 1° Ano
Varinha: Pena de Agoureiro, Aveleira, 26cm, Maleável

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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeQua 26 Ago 2020 - 11:25

Chloe caminhava deslumbrada pelo Real Jardim Botânico e há tempos não se sentia tão bem como naquele momento. Estava acompanhada da tia, Sigrid, que precisou resolver assuntos pessoais em Edimburgo e para não deixar Chloe sozinha em Ottery levou-a consigo. Não reclamou em momento algum de ter sido tirada de casa, pelo contrário, o calor agradável do sol e o sorvete de limão que lambia despreocupadamente era suficiente para deixá-la bem humorada pelo resto do dia. Chloe gostava dos verões escoceses, faziam-na se lembrar da mãe viva e saudável trabalhando na estufa de casa, do pai chamando-a para apanhar vaga-lumes no pasto... Pequenos detalhes que a deixavam com saudade de sua família reunida, mas que não mais traziam dor: Chloe sentia-se grata por ter tido oportunidade de ser filha deles enquanto foi possível. Agora com dezesseis anos entendia que a vida era um ciclo e que, infelizmente, as pessoas se despedem o tempo todo. Uma jornada sem fim. Chloe e a tia deixaram o local.
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Nate Drozdov McBride
Procurados
Procurados
Nate Drozdov McBride


Patrono : Macaco-japonês

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Escola/Casa: Sonserina
Ano Escolar: Concluído
Varinha: Pelo de Rabo de Testrálio, Aveleira, 30 cm, Maleável.

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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeDom 11 Out 2020 - 11:39

  "Querida Nyx. Os dias tem sido difíceis, como você pode ter notado na primeira carta. Não tenho amigos, não posso das as caras por ser um procurado e acima de tudo estou me sentindo só. Drake vem quase todos os dias na fazenda, passa menos de cinco minutos e já vai para um outro compromisso. Da última vez tentei jogar dardos com ele, mas disse que não tinha tempo. Acho que foi um erro explodir um navio do exército... não sei. Eu não queria que o exército bretão descobrisse nosso futuro, nossa ilha! Lutamos tanto por aquele lugar (você mais do que ninguém) e mesmo assim eles já desconfiam de algo. Eu não aguento mais ficar de molho, sem poder estar sendo útil para nossa classe, mas sei a importância que é se manter anônimo. Você salvou minha vida dos próprios conselheiros da guilda que queriam tanto me matar e acho que agora te devo, ao menos, viver por mais de dez anos. Eu te amo, minha lady, e sempre amarei. Quando a poeira baixar e ninguém mais se lembrar de mim, voltarei a te seguir seja lá qual caminho for. Você me deu perspectiva de futuro, me ajudou, salvou minha vida e sinto que chegou a me odiar menos do que os outros (hehehe!). Hoje à noite vou ficar assistindo Modern Family e comerei alguns nachos que Drake me trouxe. Sabe... desconfio que este não é o verdadeiro nome dele e ele... se parece um pouco com meus parentes. Mas isso é assunto para uma outra hora, não quero encher seu saco. Com todo carinho, Nate".

Escrever aquela carta enquanto eu estava no Jardim Botânico era até que legal. Como estava próximo do natal, a neve tomava conta do local e aquilo dispersava muitos visitantes e embora eu morresse de frio, amava visitar um lugar que não fosse o celeiro da fazenda. Eu sentia falta de tudo. De Nyx, Steve, minha parceira de crime, Ivy e até da Makida! Porém era necessário estar sozinho... era o sacrifício que tinha que cumprir por não ter morrido no navio bretão. Eu estava começando a valorizar mais as amizades de outras pessoas e as presenças que elas tinham na vida de álguem. Mas infelizmente não tinha nenhum dos dois no momento. Com certa melancolia, deixei o Jardim Botânico para voltar à fazenda no meio do nada... dessa vez eu já conseguia aparatar direto pra lá, mas não queria. Insisti internamente em pegar um ônibus e no caminho para casa, observei uma linda garota que parecia ter minha idade, senão um pouco mais velha, que tinha os braços tatuados e aquilo parecia legal... Não deu pra ver ao certo se era o braço todo pois apenas era possível ver as costas das mãos tatuadas. Bom... talvez era hora de eu tentar alguma tatuagem qualquer dia, só precisaria pedir à Drake uma máquina que eu arriscaria fazer só.

Off: Nate deixou o local.



— Oh shit, a rat! ; let me love, let me love you
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Candice MacFusty Ziegler
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Candice MacFusty Ziegler



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Escola/Casa: Corvinal
Ano Escolar: Concluído
Varinha: Pena de Fênix, Nogueira-Negra, 32 cm, Rígida

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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeQua 23 Dez 2020 - 18:40

A fim de relaxar em seu dia de folga, Candice aceitou fazer parte de um grupo de turistas que planejavam conhecer todo o Real Jardim Botânico de Edimburgo. Acompanhado a eles, iria um renomado guia local, especializado nas diversas plantas, pássaros e edificações - mesmo que poucas -, que faziam parte da paisagem. Assim, às 8h todos os vinte participantes se encontravam à frente da entrada e seguiram atrás do homem que, à medida que andava, contava as inúmeras histórias e curiosidades do lugar. Candice, por ser apreciadora da natureza, ouvia atentamente o que ele tinha a dizer, sempre curiosa para mais detalhes. — Interessante. Por um acaso, os hectares são divididos igualmente entre as zonas? — O questionamento levantado por ela abriu margem para que as devidas cinco zonas mais visitadas fossem abordadas na conversa. O bate-papo estava sendo agradável, tanto que perduraram no Jardim por mais algumas horas, onde o grupo pôde terminar a tarde com comidas locais bastante atraentes. Isso, claro, depois de almoçarem no restaurante mais próximo. No fim, Candice agradeceu a oportunidade que teve com todo conhecimento adquirido e se afastou do grupo, saindo dali.
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Ramona Kalitch Schaffer
Sociedade Estudantil - Estudante
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Ramona Kalitch Schaffer


Bicho-papão : O corpo sem vida de sua mãe Thora

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Escola/Casa: Lufa-Lufa
Ano Escolar: Formado
Varinha: Pelo de Rabo de Trestálio, Ébano, 28cm, Rígida.

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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeQua 27 Jan 2021 - 15:27

The adventures of Ramona and Kabu :)
The adventures of Ramona and Kabu :)
Sinceramente, Ramona nem sabia mais o que queria para a vida, seja dentro de Hogwarts, tanto quanto sua futura carreira no mundo profissional. Ela já tinha a ideia de que se envolveria com alguma área do ramo da saúde, mas nos últimos anos, estava desistindo da herbologia, ainda que soubesse do seu apreço pela área. A ideia era amadurecer as opções, mas vai saber né? Talvez levasse o geral como um hobbie, pode ser! Whatever, enquanto isso não ocorria ela continuava com suas pesquisas particulares... Ou melhor, suas engenhocas. Naquele dia em especial ela só tinha a intenção de observar, analisar e pretensiosamente fazer anotações. Ramona tinha que encontrar algo que fosse diferente de tudo o que tinha em sua hortinha em casa, afinal queria diferenciar as mudas e sementes para então procurar comprá-las quando fosse ao centro comercial bruxo. Sua mãezinha felizmente concordou com a ideia de visitarem o real jardim botânico na grã-bretanha, gostava da companhia da mulher por justamente sempre terem conversas interessantes, sendo que ela lhe auxiliava na maior parte de seus projetos. Mãe sendo mãe né, até nas piores ideias tinha o apoio da historiadora, que era essencial em muitas decisões que tomava - ou tinha no meio da noite, sem avisos prévios -. Ramona era uma garota complicada entretanto fácil de se lidar, mas, dificilmente você entenderá isto. A não ser que se empenhe bastante, então logo saberá decifrá-la. — Ô mãe, vou dar uma olhada naquela primeira estufa ali, beleza? — Indicava com o polegar na direção do local, vendo-a assentir sobre seu recado. Thora informou que tentaria achar algo para comerem mais tarde e provavelmente terminaria de analisar alguns assuntos de trabalho que trouxera consigo. Confirmou, virou-se em direção à estufa e adentrou no acoplado de plantas, movendo as unhas sob a capa dura do caterno que carregava consigo. A pena se movia ao seu lado, flutuando, era bom demais estar em um ano na qual lhe permitisse fazer magia fora da escola. Ah e para os recém chegados na historia de Ramona, por mais que estivesse acompanhada de sua mãe agora, ou melhor, antes, na realidade ela nunca estava só. Uma figura era sempre vista seguindo a moça, um esqueleto encantado por ela através de magia - animus corpus -, de porte médio porém adorável. Ele andava com uma única peça (vestuário), sendo este um chapéu de gala roxo escuro. Ele era seu companheiro e por maioria das vezes seu melhor amigo, afinal não falava e não lhe incomodava desnecessariamente. — Vê se não se perde por aí, Kabu. — Seu nome era uma notável homenagem à Kakashi no Kabu, de O Castelo Animado. Uma animação japonesa da studio ghibli, amava todos os trabalhos que Hayao Miyazaki criava.

Com a cara enfiada em boa parte das folhas rasuradas do caderno, ela nem se deu conta do momento em que sentira seu corpo esbarrando-se em alguém, aparentemente desconhecido. Afinal, as chances de encontrar um conhecido eram mínimas e quase inexistentes, diga-se de passagem. — De boa. — Fora a única coisa que respondera sob o pedido de desculpas lhe concebido, aparentemente a mulher com quem conversava agora deveria ser a responsável pelo real jardim, ou uma das responsáveis. Sei lá, alguém importante, pois de forma meio rude acabou confessando de não recordar-se de empregá-la. Empregá-la? Arqueou a sobrancelha, fechando lentamente o caderno, permitindo que a pena pousasse sob a capa do mesmo. Era outra coisa que flutuava por aí com vida própria, gostava de animar objetos inanimados. Ramona encarava de forma analítica a mulher, mais velha do que ela obviamente, e bastante pretenciosa pelo jeito. Ergueu o queixo em sua direção, deixou que os olhos passeassem por ela e então estalou a boca com a língua, pressionando os lábios um no outro. — Vim com minha mãe. — Respondeu simplista, batendo as unhas mais uma vez na capa do caderno. Kabu moveu a cabeça em direção ao rosto da lufana, como se questionasse ''e eu?''. Era engraçado, até parecia que tinha consciência de verdade. Riu baixinho, dando uns tapinhas no ombro esquelético dele. — Pela porta, eu acho... — Franzia as sobrancelhas, porém antes mesmo de respondê-la sobre como, o que provavelmente era isso que estava tentando fazer, fora interrompida. Ela era boa em fazer isso, em? Suspirou, a mulher dizia algo sobre não estarem autorizadas e etc e tal, porém Mona só sabia encarar as raízes de gengibre perto dela, como uma forma de controlar sua metamorfomagia. Ela sabia que tinha chegado loira ali, mas provavelmente sairia com as madeixas laranjas e os olhos vermelhos. Vermelho, isto, a cor de suas orbes agora muito provavelmente eram vermelhas. Frustração, impaciência e uma pitada de raiva. — Ramona, me chamo Ramona, estou aqui à trabalho... Olha que bonitinhas. — Dizia tocando algumas folhas de Eucalipto, ainda se dando a trabalheira de ouvir a moça. Segurança? ''Ela disse segurança mesmo?'' quis rir. Se ela não fosse tão nariz empinado, talvez já soubesse como acabaram entrando ali, ela e Thora. Só estava ali para buscar ingredientes, nada mais. Olhando-a dessa vez, relutou internamente para não acabar sendo tão inconveniente quanto a mulher, já que logo aquilo se tornaria uma competição de quem estava sendo mais chata. 

Historiadora. Minha mãe tem autorização pra entrar aqui, ela pediu, inclusive. E me disse que poderia encontrar... Empecilhos se andasse sem ela. — A pausa dramática fora proposital, Ramona encarava com atenção as manchas de terra que decoravam o vestuário da provável responsável dali. Ou uma delas, tanto faz. — Pelo jeito ela estava certa mesmo... — Estreitou as pálpebras dos olhos, pondo algumas mechas de cabelo loiras atrás da orelha, cruzando os braços da mesma forma que ela fizera para si. — É trabalho de campo. Ela está estudando a área, e eu vim junto porque, bom, sou filha dela né? Ela se chama Thora, caso queira verificar com alguém ou algo do tipo. — Andou para perto dela, ficando a poucos metros de seu rosto para então continuar andando, esbarrando um pouquinho na moça novamente. Era verdade, Thora soube do interesse da filha em visitar o real jardim e juntou o útil ao agradável, unindo seu emprego com a ideia dela. Kabu lhe acompanhava como fiel escudeiro, apenas sabia fazer isso mesmo então era de se esperar. Encarando agora os próprios pés, Ramona notou algumas graminhas presas em seus coturnos pretos, felizmente marcados pelo notável cadarço amarelo. Oh como os amava. Bateu os pés ao chão, retornando sua atenção para a mulher. — Podia pelo menos se apresentar, depois de me confrontar assim. Ou não, você quem sabe. — Era uma pena ela não ter se apresentado de forma tranquila para a Kalitch, não conheceria tão cedo sua verdadeira essência lufana.


Ramona;
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Alektra Kalitch Schaffer Nottingham
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Ramona Kalitch Schaffer
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Ramona Kalitch Schaffer


Bicho-papão : O corpo sem vida de sua mãe Thora

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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeQua 3 Mar 2021 - 8:49

the adventures of ramona and kabu :)
The adventures of ramona and kabu :)
Longe demais... O que aquela mulher sabia sobre o conceito de ir ''longe demais''? Se ela entendesse o quão Alektra era boa em ir longe nas coisas, ela se surpreenderia muito. Ramona não entendia muito bem o quão furiosa ela estava com a sua imprudência, mas não estaria agindo assim caso fosse abordada de outra forma. Uma pena só ter descoberto isso depois, as vezes era melhor ser neutro(a) com os outros, justamente por não saber como iriam reagir. Ela, por exemplo, não abaixava a cabeça, especialmente quando não enxergava erros em suas atitudes. Caramba, só fora ali a passeio com Thora, nada demais! Era perfeitamente normal uma adolescente vir acompanhada da mãe, ainda mais com uma carta de solicitação. Ah, dá um crédito, ela não sabia. pensou consigo mesma, suspirando baixo. Aquele dia pelo menos estava começando a ficar interessante, ainda mais do que pensou que seria, algo bom. Dessa forma percebera que não viera atoa, sendo que podia estar em casa fazendo o que faz de melhor: comendo ou dormindo. Entranhou os dedos às madeixas loiras; fechou as pálpebras com suavidade e permitiu que sua aparência costumeira retornasse ao padrão, sendo este o padrão de seus cabelos liláses. Não era ninguém sem a cabeleira lilás, que estranhamente estava mais puxada para um roxo nos últimos meses. Mudança de humor ou princípios? Descobriria em breve. A raiz, antes clara e padronizada, fora desencadeando o tom pastel cuidadosamente, vagando até o último fio de cabelo, até que estivesse na mesma coloração de lavanda, por exemplo. Bem melhor, imaginou consigo mesma, jogando a franja para o lado, permitindo que o penteado fosse este: com aquela parte toda da frente, jogada para o lado esquerdo. Antigamente ela usava os cabelos repartidos ao meio ou para a direção oposta, mas agora que colocara o piercing na sobrancelha tivera vários episódios em que os fios acabaram se enroscando na joia. Resultado: surtos de dor e raiva. Que Deus a livrasse de queloides e más cicatrizações. — Perdoe-me, mademoiselle. — Ironizava sobre o protesto dela, olhando-a de canto com um sorrisinho sacana nos lábios. Tão logo parou de sustentar a atenção sob ela, parecia desconfortável quando fazia isso. Há quem diga que Ramona Alektra tinha olhos intensos.

Oh pobre Kabu, tão desastrado, tadinho. Ainda precisava ensiná-lo a andar cuidadosamente perto das outras pessoas, ainda mais se essas pessoas fossem como Lian Hoffmeister. A verdade era que já sabia de quem ela se tratava, sua mãe lhe alertara sobre sua possível aparição, mas queria confirmar da boca dela se de fato se tratava da mulher. — Meu anjo? Eu sei que sou bonita, mas sou tímida. Desse jeito vai me deixar sem graça... — Comentava tão piadista quanto ela, se estava tão disposta assim a agir com sarcasmo. Pelo menos ela tinha desistido de lhe expulsar ali de dentro, não estava muito afim de sair agora, justamente agora quando o negócio estava ficando interessante. Até já me esqueci do que faria aqui. franzia as sobrancelhas, incomodada com a perda de foco. Ah, que se dane. Ela podia se preocupar com plantas em outro momento, contanto que sua companhia atual a mantivesse ocupada mentalmente e absolutamente entretida. — Sei, sei... Ministra da Magia, talvez? — Comentava com ela acerca de sua afirmação sobre não saber com quem estava se metendo. O quão perigos estaria sendo ela, ali respondendo a mulher? Deu de ombros, estalando a língua ao céu da boca. — Kabu, cuidado. — Manuseou a varinha cheia de trequinhos decorativos em direção ao esqueleto, o reaproximando de seu próprio corpo. A pobre cartola não acompanhou o processo; utilizara do accio para trazê-la de volta. Cautelosamente ajeitou a peça no crânio do enfeitiçado, sorrindo contente com a aparência charmosa dele. Até tinha uma gravatinha, confeccionada por sua irmã mais nova Maddie, que gostava do objeto tanto quanto Ramona curtia. Não era a pessoa mais normal do mundo, já tinha conhecimento disto, mas também sabia que desde pequena não levara vida alguma normal. Quem sabe se sua mãe, Mênfis, estivesse viva hoje em dia as coisas seriam completamente diferentes... Não teria Thora, e nem Maddie. Pensando bem, eu prefiro as coisas como estão, tudo acontece por algum motivo! Viajava nos próprios pensamentos, acompanhando o andar de Lian como confirmado por ela, com um sorriso amarelo. Fingiu estar mais interessada nas amostras de plantas, apenas por alguns segundos. Ela também não era fã de muito contato, ainda mais o visual. Só ela gostava de fazê-lo, do contrário se sentia intimidada. Saco. resmungou em pensamento, os cabelos lilases cada vez mais fortes. A metamorfomagia estava descontrolada à um tempo.

Um pedido de desculpas, então? Ramona ficou surpresa, se arriscava até falar que perplexa, não esperava aquilo agora. Tipo, toooda uma explicação, ela estava lhe pedindo desculpas de maneira mais elaborada. Entreabriu os lábios sem interrompê-la, assentindo conforme ela confessava que só estava ali para catalogar algumas ervas e nada mais. Será mesmo? Reprimiu os lábios agora, observando-a se entreter com o que parecia ser raízes de gengibre. Bom, não tinha certeza se eram mesmo, ela sabia de Herbologia mas não tanto quanto Lian parecia saber. Isso era meio que óbvio, julgando o trampo dela. Opa, emprego. Permaneceu assim, quieta, procurando prender a mente com o que viera fazer ali, mas estava difícil com o silêncio constrangedor que se instalava dentro da estufa. Fora então que ouvira a voz da mulher mais velha novamente. Agora ela reclamava de Kabu, alegando que não conseguia trabalhar com ninguém próximo dela. Seria isso mesmo? Não pareceu se incomodar com seus esbarrões antes... Corou com este pensamento. Que diabos?! Não pense besteira, Alektra. Ah, sim, ela estava em uma busca para o autoconhecimento, Ramona se descobria homossexual e não estava sendo nada fácil lidar com aquilo; se quer tinha certeza sobre suas escolhas. Sem pensar muito ela transformou o esqueleto em uma edição de bolso, pequenininho, e caminhou para perto dele ao chão no intuito de pegá-lo. Colocou-o dentro da bolsa que carregava consigo, uma bolsa de ladinho estilo carteiro mesmo. Agora ela fitava fixamente Lian, como quem perguntava ''está satisfeita?''. Respirou fundo, virou-se de costas e forçou a atenção sob qualquer coisa verde no lugar, e poxa, existiam muitas coisas verdes ali. — Acha que consegue me ajudar? Ou está com raiva demais de mim? — Questionava curiosa, sem olhá-la. Sua pergunta era inocente, ela precisava mesmo de ajuda, só estava meio complicado saber se Lian tinha disposição para isso ou não. Haviam possibilidades da resposta ser negativa.
Com a Lian.


Ramona;
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Alektra Kalitch Schaffer Nottingham
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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeQua 17 Mar 2021 - 13:51

The Adventures Of Ramona And Kabu!
Se minha mãe me visse agindo daquela forma, certamente brigaria comigo pela maneira um tanto quanto insolente como eu respondia Lian. Não que ela merecesse, mas estava terrivelmente incomodada com a abordagem anterior dela. É claro que não mais, fora puro momento, agora eu só esperava que ela ignorasse nossa pequena discussão anterior, e fingisse que nadinha tinha acontecido. Na maior parte do tempo, eu lidava com os problemas dessa forma, cagando para eles. Desculpe o linguajar, mas é real. Se eu deixasse qualquer coisa me afetar facilmente, seria uma fera flamejante de raiva, e ninguém gostava de lidar com pessoas altamente explosivas. Para falar a real, na maior parte do tempo eu sempre me mantive bem de boa, só que... Algumas pessoas incrivelmente conseguiam me tirar do sério. Lian conseguira a proeza depois de tanto tempo sem eu me estressar realmente num diálogo. A última vez fora no quinto, não no passado, mas sim na primeira vez que o fiz por ter reprovado. Acabei ficando puta da vida quando um sonserino me chamou de banana podre, por minha metamorfomagia ter assumido um tom amarelado meio escuro, diante uma crise de nervosismo. Lá ganhei minha primeira suspensão, o que acarretou um processo de deixar o cargo de monitora. O porque? Eu dei um belíssimo porradão em sua cara amarga, para que ele não esquecesse de como era bom meçar as palavras. Especialmente comigo, comigo... Thora sempre disse que eu acabava sendo bem agitada em situações que me submetiam a conflitos, mas eu estava trabalhando arduamente para não sair por aí batendo em ninguém. Não! Eu não ousaria socar Lian, por Odin! Na real, sei que eu acabaria enrolada em cordas caso tentasse, julgando a bruxa habilidosa que ela parecia ser. Esse era o clima que ela transmitia, de mulher sábia. Meio óbvio, quem curte herbologia tem que ser ou muito louco ou muito inteligente para se interessar. No meu caso, acabei com a parte da loucura. E um pouco do conhecimento, vamos lá. Tenho que confessar, acabei ficando ansiosa demais pela resposta de Lian sobre minha solicitação de ajuda, embora eu ainda não soubesse direito com o que queria auxilio. Acabei me perdendo durante meus próprios devaneios alheios, imaginando se minha mãe estaria preocupada comigo agora. Provavelmente não, Thora tinha um sentido sobrenatural para saber se eu estava enrascada ou coisa semelhante, e agora à essa altura, eu já tinha conseguido me livrar da maior das encrencas. Sair na luta com a herbologista. Engraçado pensar assim, eu, atualmente, não gostava nem mesmo de matar uma mosca. Não posso dizer o mesmo de dois anos atrás. Se eu soubesse que a emoção desse dia seria tão grande assim, teria vindo mais cedo. pensei em um comentário mental e privado, segurando um sorriso sacana na boca perante a situação. Ora pois, fazia tempo desde que não me divertia tanto ao marcar encontros com plantas. Não era sempre que eu topava com alguém tão característico quanto a morena ali, numa personalidade tão forte quanto a minha. De relance, aguardando sua resposta, apreciei seu rosto cautelosamente. Era mais do que visível a beleza que Lian trazia consigo, especialmente seus olhos puxados, que proporcionava um ar mais gracioso à ela, certamente. Seu nariz parecia ter sido moldado, dificilmente encontrei alguém que não tivesse narinas de batata. Você está encarando ela, guria. me alertei e desviei a atenção da mulher; minhas bochechas certamente estavam róseas agora, rubras. Me segurei para não deixar meu dom interferir nas sensações, fui forte mas nem tanto. A coloração de meus olhos pareciam se auto alterarem, algo semelhante a rosa, mas bastante fraco. Perfeito, argh. Não aguento mais essas minhas vaciladas, sinceramente!

Ela tem uma pinta debaixo do olho, próximo do nariz... pensei aleatoriamente mesmo que não estivesse mais a encarando, afastando minhas observações particulares ao finalmente ouvir mais uma vez a voz suave de Lian, que agora me respondia. Levantei a cabeça e ergui o queixo prontamente em direção à ela, molhei os lábios para respondê-la então. — Não? — Indaguei perante sua resposta, ao que parecia, a Hoffmeister não estava com raiva de mim ou algo semelhante, mas tenho que admitir, era uma questão duvidosa. Será mesmo que não estava? Arqueei a sobrancelha esquerda, mas abaixei-a assim que Lian confessou sobre estresse de trabalho. Hm, estresse de trabalho, então... Apertei os dedos na madeira da bancada mais próxima e senti uma sutil tensão em meu corpo, quando ela se apoiou ao meu lado, na mesinha. Engoli seco por alguns instantes, coçando a nuca desajeitadamente em um ato involuntário. Por algum motivo sinto que essa resposta foi mais uma desculpinha, imaginei mas decidi não comentar, poderia acabar ofendendo a mulher, certamente. Eu já estava sendo ousada demais, não passaria dos limites de novo. — Eu estou começando a conhecer esse estresse. De trabalho. — Completei, me referindo inteiramente ao estágio que comecei no centro de cura Nantosuelta, onde eu certamente descobriria mais tarde se eu gostaria mesmo de seguir com a ideia de me tornar especialista em ervas e semelhantes. Lufanos tinham apreço por ervas, não é mesmo? Chegava a ser cômico a minha admiração pela matéria. Expliquei por fim meu verdadeiro propósito em frequentar o jardim botânico para ela, assim compreenderia mais meu pedido e quem sabe, me lançasse sugestões legais para solucionar o problema. O olhar distante da mais velha me fez concluir que ela já pensara em algo para me sugerir, coisa que não demorou muito para ocorrer mesmo. Virei-me mais em sua direção e neguei perante a pergunta do Lacremandro, minha careta confusa fora o suficiente para passar a imagem de quem não fazia ideia do que ela dizia. Ri baixo, meio sem jeito pela falta de informação, ouvindo-a explicar sobre o que se tratava. Aparentemente bastante difícil de se encontrar, e segundo uma lenda, nascia em terras onde grandes quantias de lágrimas foram derramadas. Agora sim o nome faz sentido, conclui demonstrando puro interesse. Meus olhos estavam bem abertos e expressavam minha admiração pelo Lacremandro. Pelo jeito eu desconhecia muito da herbologia, mesmo sempre estudando ela constantemente. — Jura? Eu não conhecia essa parada antes! — Confessei segurando o frasco de vidro que me fora oferecido, assim que Lian deixou de procurá-lo e passara a me mostrar. O líquido dentro era transparente e viscoso, lembrava visivelmente lágrimas mesmo, embora carregasse um ar de gosmento. Coloquei o frasco mais perto do meu rosto, analisando-o com curiosidade pura. — Confesso que não esperava saber de algo tão bacana assim. No máximo uma plantação de laranjas mágicas, mas isso não. — Sorri diante minha piadinha ruim, tomara que ela não me julgasse por esses comentários bobos. Minha personalidade era unicamente essa, bobinha quando podia.

Manuseei agilmente a pena de repetição mágica para que colocasse a mão na massa. Ela já passava todas as informações ditas por Lian para uma nova página em branco, inclusive eu precisaria me lembrar de pesquisar mais sobre Lacremendro, para deixar o tópico sobre ele altamente rico em informações, para que nenhuma dúvida acabasse surgindo depois. — Posso ficar com isso, na moral? — Lancei a pergunta com relutância, afinal, aquele item parecia de certa forma raro e aceitá-lo seria como ganhar um presente, algo do tipo. Que bobeira, ela nem te conhece, está sendo apenas legal contigo! castiguei meus pensamentos, sorrindo agradecida pelo ganho. Eu iria adorar explanar aquela amostra para minha mãe, sem dúvida ficaria tão encantada quanto eu. Ri baixo, quase que muito rapidamente, quando ela confessou que trabalhar ali continha vantagens. Concordei, era meio explícito o caso, me certifiquei de que a pena estava fazendo um bom trabalho ao anotar as últimas coisas sobre o líquido dentro do frasco. Encarei-a imediatamente com seu alerta sobre o Lacremandro, que produzia o líquido através das pétalas e este, quando ingerido, provocava inúmeras mudanças de humor repentinas. — Ah, você notou... — Certamente o trocadilho fora sobre meu dom. Acabei passando os dedos entre meus fios lilases, meio sem jeito. É claro que ela tinha notado, parecia um camaleão quando deixava os sentimentos oscilarem e influenciarem naquela parada toda. Minhas bochechas queimaram e eu me lamentei pelo caso. Felizmente Lian mudou a vertente do assunto, e assim passei a acompanhá-la sem pensar duas vezes ao ser chamada para lhe seguir até a saída da estufa. De acordo com ela, as pétalas não seriam encontradas ali especificamente. Existia uma região específica, então? Provavelmente todo um macete único, plantas tinham características próprias para seus devidos desenvolvimentos. Conforme passamos a caminhar, analisei os arredores meio incerta sobre onde acabaríamos parando, mas retornei meu olhar para a Hoffsmeister assim que ela me questionou sobre meus estudos. Precisamente, onde eu estudava. — Sim, estou no sexto-ano. Eu repeti um ano, ahm... Faltava demais. — Digo sincera, em meio a um sorrisinho amarelo e nada bonitinho. — Sou lufana, é claro. — Confessei como se estivesse na cara, por conta do meu jeitão todo despojado e certamente muito colorido. — Comecei um estágio no centro de cura em Mag Mall. Provavelmente vou descobrir lá se quero mesmo seguir esse lance de herbologista. — Incrementei, mordendo o lábio. — Você se formou onde? — Não escondi e nem medi interesse, mas fiquei com medinho de acabar soando invasiva ou chatonilda, como Maddie me chamava as vezes em seus picos de irritação, comigo mesmo. Tinha o poder de despertar o incomodo nas pessoas, quando eu me empenhava.
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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeTer 20 Abr 2021 - 15:23

THE ADVENTURES OF RAMONA AND KABU!
Tive que admitir a mim mesma que no final, se tivéssemos nos cumprimentado normalmente, talvez a conversa tivesse sido mais pacífica desde o início e não apenas no finalzinho dela. Finalzinho porque, checando o meu relógio de pulso, logo mais Thora poderia aparecer alegando que tínhamos de voltar para casa. Eu não queria, sinceramente, estava gostando de levar aquele papo, considerando que minha mãe era mais do ramo da história mágica bruxa, e mal lidava com plantas pelos gostos diferenciados. Nem mesmo minha tia Angel, que já era mais puxada para outros meios... desconhecidos por mim. Mas aos que me conhecem sabem que dificilmente alguém consegue esconder segredos de minha pessoa, eu considerava isso de certa forma uma habilidade minha. Da última vez, minha grande descoberta fora de dois colegas meus, que se pegavam escondidos nas estufas da escola ao final da tarde e no resto do dia passavam grande parte do tempo se odiando. Vê se pode... whatever. Ao ouvi-la falar que o Lacremandro não era o tipo de planta que se encontrava em Hogwarts ou em qualquer outra instituição de ensino, sorri mais um pouco. Pude considerar que eu era uma das poucas com aquele item em questão, e fiquei imaginando se não havia algum problema para ela me entregar tal presente. Digo, eu sabia de sua posição ali, mas isso era cem por cento legal? — Espero que me dar isso aqui não te custe nenhum sermão. — Digo arqueando a sobrancelha, reprimindo os lábios instintivamente ao vê-la piscar de uma forma até faceira em minha direção. Uma sensação estranha preencheu meu peito, e eu tive que fechar um pouco o semblante para me concentrar em voltar ao meu habitual. Ao menos meu gelo particular fora repartido com sua resposta, Lian fez questão de usar as mesmas palavras que eu, para me responder. Ri baixo, okey, eu até entendia que minha forma de falar era um pouco estranha e cômica... mas não imaginei que ela fosse me responder assim. Isso arrancou um sorriso nos meus lábios, mais um em meio a tantos. Eu já estava sorrindo demais! Mas é que, poxa! Lian era especialista em um dos assuntos que eu mais apreciava, juntamente a alquimia. Fora até mesmo engraçado a forma como duas pessoas que curtem o mesmo ramo, acabaram se desentendendo feio de começo. Pelo menos isso daria uma boa história mais tarde, durante o jantar em família. Thora me questionaria sobre o que eu andei aprontando e céus, ela não entenderia nada do caminho que o nosso diálogo - meu e de Lian - acabara levando. Bem, nem tudo era pra ser entendido, essa é a graça das coisas certo? Pelo menos vou me ocupar pelo resto do recesso... imaginei, o Lacremandro me renderia boas horas de estudo, eu pretendia me informar bastante sobre ele, era a coisa mais interessante no momento para adicionar ao meu projeto de herbolário amador.

Minha curiosidade sustento um olhar indecifrável sob Lian, quando ela proferiu o nome de minha casa, juntamente à um ''É sério?'' na mesma frase. Gargalhei sutilmente, nada muito exagerado, mas o suficiente para deixar explícito que eu me divertia com sua surpresa. Uma vez, minha diretora, Nerida, comentara que eu não era uma das personalidades mais pacíficas entre os lufanos, e sério, eu concordava demais com aquela parada. Era um lance meu, nunca fui um amorzinho de pessoa por completo, mas eu era doce com quem tinha meu amor. Igual uma pedra preciosa... modesta por fora, mas preciosa por dentro. Exceto pela questão da minha beleza, eu era linda de qualquer forma. Metamorfomaga problems, por sorte nunca precisei mudar nada em mim, exageradamente, para auto aceitação. Minha progenitora biológica, Mênfis, era dona de uma beleza extraordinária. — Sim. — Respondi a herbologa finalmente, coçando o queixo conforme encarava o frasco de Lacremandro, podendo enxergar meu próprio reflexo no vidrinho. Resolvi prosseguir com a explicação, se ela visse a escola atualmente, ficaria encantada ou horrorizada com o quanto as coisas mudaram, no mundo bruxo em si. — Olha, você ficaria chocada com as pessoas que pode encontrar nas casas hoje em dia. — Digo de forma humorística. Nem todo grifino seria absurdamente corajoso, ou nem todo sonserino uma rudez de pessoa. As vezes sim, mas okey... e nem todo corvino precisava ser necessariamente um nerd. Bom, o chapéu ficou bastante divido com a minha seleção por exemplo, eu sou absurdamente inteligente, não querendo me gabar e nem nada, mas eu sou. Ainda assim, características maiores me puseram na toca dos texugos, e eu estava feliz assim. Pelo menos eu dava uns bons pés na bunda daqueles que incomodavam meus amigos. Bo por exemplo, era um meio-gigante lufano que não tinha coragem de machucar se quer uma mosquinha. Alguém tinha que ser responsável pela limpeza, concordam? — Mas eu sou um doce. E não é pra rir, beleza?! — Ameacei falsamente Lian, ainda sorrindo. Eu era mesmo, um docinho, só um pouco azeda mas nada grandioso. Infelizmente a herbologa já tinha conhecido esse lado nocivo meu, mas... apenas por um curto período de tempo. Era só não cutucar a onça com vara curta que você se garantia, comigo funcionava assim. Talvez eu precisasse de mais paciência? Provável, mas a cada dia eu melhorava nessa área. Não era atoa que frequentei psiquiatras durante seis meses, após a morte da minha irmã. Lá aprendi algumas liçõezinhas, como contar até três e respirar pausadamente, antes de socar alguém. Acabei desenvolvendo transtornos agressivos, mas eles quase não se mostravam mais graças a Odin.

Permaneci atenta nas palavras da mais velha, naquele momento eu nem se quer me dei conta do quanto tempo permaneci daquela forma, a encarando fixamente. Apenas me dei conta do feito pelo comentário da mesma, que me questionava sobre meus modos acerca de encarar os outros. Findei o caminhar tanto quanto ela, apertando o frasco do Lacremandro fortemente entre os dedos, sentindo uma onda quente de calor subir por meu corpo. Isso acontecia quando eu ficava nervosa, e sempre que eu precisava apresentar algum trabalho de escola. Era terrível! Quase como uma crise de ansiedade, mas ali, eu havia sido repreendida por meus atos descarados. Corei finalmente, respirando fundo ao notar que se tratava de uma brincadeira sua. Bom, talvez ela tivesse ficado realmente incomodada com minha encarada, mas senti que não parecia se importar tanto, no final das contas. — Na verdade não. — A respondi na mesma altura, virando-me em sua direção, cruzando os braços cautelosamente. Sorri no canto da boca, decidindo explicar aquilo. — Ela é pior do que eu, sabe? — Sussurrei fingindo estar contando um segredo. Então, antes que eu pudesse dizer mais alguma besteirinha, ouvi a voz de Thora atrás de mim, e ainda que longínqua, consegui distinguir seu pedido para que fossemos embora. Droga, mas logo agora? Revirei os olhos, sustentando a atenção sob Lian novamente, ajeitando o Lacremandro em minhas coisas, para que ele passasse despercebido por minha mãe até chegarmos em casa. — Por falar nela... Foi mal, mas preciso ir. Espero, ahnm... poder falar mais sobre... essas coisas com você, quem sabe? — Eu esperava mesmo, e embora fosse um plano distinto, certamente procuraria a mulher novamente ali, no jardim. Me afastei de costas, acenando para ela quando me juntei a Kalitch mais velha. Ela me abraçou pelo pescoço e bagunçou meus cabelos; indagava sobre meu entretenimento. — Ah, vou te contar tudo, mas antes quero comer. Tô morta de fome! — Alertei, afinal ela bem sabia como meu humor ficava uma merda sem comida. Sério, eu virava o bicho! Sai dali, imaginando quando retornaria, sem nem ter chegado em casa ainda ou me distanciado o suficientemente do local.
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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeQua 27 Out 2021 - 18:21

~ a day to remember ~

Dianne há tempos não conseguia sentir o ar dos arredores com o detalhismo poético que a acompanhava nos primeiros anos da juventude. Por tempos o almíscar, a baunilha e o floral de seus perfumes a cercavam de natureza superficial, conectando-a com falsa libertação existente nos espaços abertos que costumava passar o tempo. Mais madura e, por conseguinte, mais cética, sentia-se agora acompanhada por odores mais amadeirados do que qualquer outra coisa. Após outra noite de whisky e suor ao lado de Max, sentiu-se compelida a equilibrar as energias em qualquer lugar esverdeado. Fingir costume ao lado das flores, para talvez florescer de novo por dentro.

Ainda assim, por força do hábito, sacou um cigarro bolado no bolso da frente da jaqueta e acendeu sem muita cerimônia. Sabia que a fumaça densa lhe roubaria o privilégio do olfato e a afastaria do propósito detox que a trouxe ao jardim, mas no primeiro trago as preocupações com autoimagem já haviam sumido, serpenteando junto com a fumaça a caminho do céu.

Caminhou por longos minutos pelo espaço aberto, permitindo que o próprio peito expandisse seu tamanho com memórias açucaradas da infância. Cercada de flores e conhecimento, cresceu minada de informações sobre plantas medicinais e significados românticos construídos socialmente. Mesmo afastada de toda coisa que lembrasse a família, certas vivências permaneciam grudadas na memória como cicatrizes nos pulsos.

O cabelo preso frouxamente pelo coque, feito às pressas, parecia querer ceder. A roupa escolhida para a noite anterior também parecia demasiadamente fora de contexto para um ambiente tão leve. Os coturnos, entretanto, pareciam feitos para pisar na lama quase seca que cobria os esporádicos espaços livres de grama no chão.  O universo, todo bagunçado, parecia em equilíbrio.

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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeQua 27 Out 2021 - 19:10

Fazia pouco mais de meio ano que havia resolvido deixar o Harpias de Holyhead para que pudesse se dedicar unicamente ao treinamento intenso que sabia que viria a ser de extrema importância para todas as provações pelas quais passaria dali para frente. A decisão de abandonar a posição de artilheira pareceu fazer sentido na época, optando por se dedicar a apenas uma coisa de cada vez e consequentemente aumentar suas chances de sucesso e até mesmo de sobrevivência. Todavia, naquele dia,  pela primeira vez em todos aqueles meses, sentia uma falta inexplicável de uma rotina de obrigações e compromissos. Refletia se talvez não havia se precipitado ao decidir se afastar da carreira no mundo do Quadribol, abandonando uma de suas poucas paixões em nome de algo incerto.

Ficar em casa naquele dia teria acarretado em longas horas improdutivas e carregadas de pensamentos perigosamente beirando o remorso. Aceitou, portanto, correr todos os riscos de se arrepender no dia seguinte e resolveu ignorar o plano minuciosamente traçado de estudos e aproveitar o dia bonito para se reconectar com a natureza. Talia sempre foi uma pessoa que sentia muito mais facilidade em encontrar sentido na natureza e em livros do que em outras pessoas. Interações sociais nunca foram uma arte que chegou a tentar dominar ou compreender, considerando que as variáveis que envolviam amizades e relacionamentos não-familiares eram grandiosas demais para que sua mente conseguisse processar da maneira correta. A solidão, diferente do que era para muitas pessoas, sempre trouxe mais conforto para Hool do que lugares abarrotados e barulhentos.

Sentada em um dos bancos do Jardim Botânico, fechou os olhos ao sentir os raios de sol aquecerem suas bochechas salpicadas de sardas, agora muito mais evidentes após as longas tardes de verão passadas ao ar livre. Preocupações, medos e incertezas foram sendo gradativamente afastados pelas mãos delicadas da brisa fresca que bagunçava os fios de cabelo soltos. Naquele momento, os poucos minutos em contato com algo tão simples e bonito quanto a natureza que a cercava, foram o bastante para que reencontrasse sua paz interior.

Sua pequena e perfeita bolha foi furada através de uma agulha figurativa que surgiu na forma do barulho de um objeto se chocando com um baque surdo contra o chão atrás do banco onde estava sentada. Virou a cabeça na direção, focando os olhos em um isqueiro colorido e capturando pela visão periférica as costas de sua dona. Se levantou no segundo seguinte e foi atrás de recuperar o objeto, percebendo que a figura feminina prosseguia em sua trajetória completamente alheia à queda do isqueiro. Sem ponderar demais sobre algo tão simples quanto um simples gesto de gentileza, optou pelo que lhe pareceu mais lógico e, a largas passadas, alcançou a jovem em pouco tempo. — Perdão, acho que você deixou o seu isqueiro cair. Os olhares se cruzaram por breves instantes antes que Talia desviasse os olhos para a sua palma estendida, onde o isqueiro repousava.  



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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeDom 31 Out 2021 - 12:26

~ afternoon walk ~
Dianne não esperava que algo penetrasse sua bolha de falsa calmaria. Haviam poucas pessoas no jardim, todas distantes e presas na própria realidade, carregando cestas de piquenique ou observando a paisagem com sólidas companhias ao lado. O silêncio auto-induzido que a abraçava trazia um senso de controle - algo que não sentia há um tempo. Mesmo assim, quando se viu interrompida por uma voz, não sentiu energias díspares e conflituosas. Foi como se o vento escolhesse balançar as folhas da árvore a frente, natural como o curso do clima.

Ainda assim, levemente surpresa, virou com olhos curiosos para a direção da voz. Encontrou uma expressão tímida, quase retraída, mas serena. Baixou, então, a atenção silenciosamente para a mão estendida em sua direção, percebendo o isqueiro que lhe pertencia entre os dedos da moça a sua frente. — Muito obrigada, devo ter me distraído com a paisagem e não percebi. – verbalizou, não sabendo o porquê da necessidade de explicação. Sabia que provavelmente pouco importaria a outra, mas quis alongar a pequena comunicação.

Com um movimento de cabeça sentiu a outra se ajeitar para seguir o próprio caminho e, parada na mesma posição, rolou o isqueiro devolvido nos próprios dedos antes de decidir interromper. — Você quer um? – pergunta lentamente, buscando novamente o olhar da mais alta. Algo em si a impedia de voltar ao ritmo solitário de caminhada.

— É tabaco. Mais fraco do que cigarros comuns. E o filtro é de cereja. – explicou mais uma vez sem nenhuma pergunta, sentindo-se levemente ridícula. A outra até agora não havia dito nenhuma palavra, limitava-se a olhar fixamente para um ponto específico de seu rosto, nunca encontrando os olhos.

Sem conseguir entender a energia que a compelia para a outra garota, Dianne aproveitou a timidez de seus olhos para observar melhor o rosto que lhe parecia conhecido. Tinha certeza, dentro de si, que já a havia encontrado em algum lugar. O rosto era marcante demais para ser esquecido.
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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeDom 31 Out 2021 - 14:46

Sua única reação ao agradecimento da outra foi abanar a cabeça uma vez, deixando subentendido pela linguagem corporal que não havia sido nada demais. A menção de que a perda do isqueiro havia provavelmente surgido da distração causada pela paisagem levou Talia a mover seus olhos para os arredores, esboçando a sombra de um sorriso com a beleza daquele dia de final de verão. Com a aproximação da próxima estação, os dias já começavam a parecer se tornar cada vez mais curtos e as noites vinham sendo tomadas por brisas cada vez mais frias. Em breve, o hemisfério norte começaria a ser tingido por tons de amarelo e laranja e não tardaria até que folhas secas se tornassem tapetes estendidos aos pés das árvores.

Foi pega levemente de surpresa com a oferta feita pela outra, franzindo o cenho por poucos segundos ao não compreender se aquela era a forma como normalmente se agradecia um estranho por ter recuperado seu isqueiro. Aguardou antes de dar uma resposta por precisar de alguns segundos para estruturar seus pensamentos e buscar em sua memória modos que fossem julgados como socialmente aceitos. Não é como se Talia fosse incapaz de ser cortês ou não soubesse como agir durante uma interação social, apenas faltava em sua bagagem de experiência momentos que tornassem o todo mais natural para a jovem. — Eu agradeço a oferta, mas eu não fumo. O comentário da outra de que o filtro era de cereja despertou seu interesse em aprender mais sobre um assunto que lhe era bastante alheio. Sabia que muitos jovens, especialmente nos últimos anos, abandonavam cigarros industriais em nome de tabacos que enrolavam eles mesmos, mas nunca antes ouviu falar sobre filtros com sabor. — Na realidade, eu nunca fumei — complementou encontrando os olhos da outra por um breve instante e abrindo um meio-sorriso tímido antes de tornar a fitar a natureza.

Num acordo silencioso e com surpreendente naturalidade, começaram a caminhar lado a lado. O dia estava bonito demais para ser passado sentada num banco, ou pelo menos foi o que disse para si mesma ao começarem a caminhar. Além disso, a breve interação até então havia oferecido uma boa distração para Talia dos pensamentos dos quais buscava fugir ao deixar sua casa mais cedo naquele dia. — Talvez seja o filtro de cereja, mas sinto que o cheiro do seu cigarro é bem mais fraco do que de outros. Ou talvez é porque é tabaco? Estava genuinamente interessada em aprender mais sobre o assunto, postura que sempre assumia diante de algo sobre o qual não tinha muito conhecimento.  



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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeSab 13 Nov 2021 - 13:05

~ afternoon walk ~
Mesmo após atingir certa maturidade no começo da vida adulta, sentia-se constantemente pequena perto das figuras femininas que a cercavam. Alex e Max eram um grande exemplo. Talvez, encolhida na própria altura, tenha absorvido a constante inquietação de ser confusa nas próprias ações, beirando à inconstância de atitute. Agora mesmo, frente à beleza discreta que se apresentava na forma de uma desconhecida, percebeu-se inconsequente e pedinte de atenção.

Prendeu um riso de auto flagelação e observou com calma as palavras rolarem pela língua da outra, numa negativa doce demais para ser considerada uma dispensa. A curiosidade genuína que iluminou os olhos claros da mais alta acabou por mitigar a humilhação que ameaçadora do desinteresse. — Tabaco é realmente mais leve. Mas o filtro ajuda. – ofereceu a resposta, amarrando os próximos passos.

— No futuro, se o destino permitir, talvez você possa aceitar a oferta para experimentar. – sorriu enviesada, recolhendo as mãos para dentro do bolso. Deixou a possibilidade da experimentação aberta propositalmente. Os olhos da estranha já não encontravam mais os seus e, de uma forma surpreendente, isso não abalou ou incomodou Dianne. Sentia-se leve pela interação momentânea.

Com mais um agradecimento e um leve menear de cabeça, Dianne tomou rumo do próprio caminho. Olhou para trás apenas uma vez, por pura curiosidade enlaçada em magnetismo. A outra já não parecia ter alguma vez interagido, seguindo a passos lentos para a outra direção. Com leve irritação pela audácia, a ex-sonserina se permitiu gargalhar. Era agridoce a sensação refrescante de ser apenas mais um grão de areia no universo. Preferia desta forma. Com o peito leve e a motivação renovada, Dianne saiu do jardim após um terço de hora.
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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeSex 19 Nov 2021 - 12:41

Real Jardim Botânico de Edinburgo

Para Derwyn, o ponto alto do seu dia era quando seu pai o levava para o trabalho. Não podia, para ser bem sincero, mas como o homem era um dos funcionários mais antigos do instituto, a administração abria uma exceção para ele. Sorte do jovem Isaacs, que adorava frequentar o jardim botânico, pois em todo canto havia uma vegetação de origem diferente, dos Alpes à selva amazônica, de modo a ser possível visitar diferentes locais do mundo num curto tempo de minutos. Hoje, porém, os dois não caminhavam pelo exterior, mas se encontravam dentro da estufa, aquele edifício que de tão comprido Derwyn não conseguia enxergar a extremidade oposta. O mesmo achava-se sentado num banquinho de madeira, próximo a bancada de trabalhos, enquanto via seu pai reenvasar uma orquídea-borboleta. Ele apalpava com delicadeza o bolo de raízes da planta, soltando o excesso de substrato velho. Quando concluiu a tarefa, pediu ao menino para que lhe passasse a tesoura de poda, com a qual cortou as partes doentes. As funções do jovem se resumia a coisas desse tipo; "pegue isso", "segure aqui", "leve para lá" etc. Atividades que, embora básicas (e que tinham que ser, considerando que ele era um João-ninguém na matéria), o entretinha como nenhuma outra coisa. Ele gostava de ser necessário. E também gostava daquele ambiente, onde o ar era tão fresco que por vezes, quando respirava fundo, chegava a doer o peito.

O replantio não se alongou por muito mais tempo, e quanto o mais velho terminou de regar o solo novo, ambos saíram dali.

Julho de 2020
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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeQua 5 Jan 2022 - 23:54

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Harper nem sequer sabia como havia ido parar ali, tudo estava certo para sua ida para a casa das Sinclair como fizera em todo verão pelos últimos cinco anos, e de repente lá estava ela, na Escócia. Em sua defesa, ela sempre prometera que um dia iria visitar sua família paterna, mas aqueles planos sempre haviam sido adiados, até o momento em que ela se viu no trem, sem vontade alguma de ir para casa. Aquele fora um ano de crise da ruiva, a copa de quadribol havia sido cancelada, ela se sentia cada dia mais cansada e irritada e, para completar, quase reprovara em Hogwarts por conta de sua indisposição. Com sorte a corvina que havia dentro de si despertara em tempo de evitar uma tragédia, mas ela ainda se sentia completamente estranha, como se nem se reconhecesse mais. Por isso fazia sentido estar ali, nenhum dos Sondheim conhecia sua personalidade o suficiente para desconfiar da mudança, e Clarice a entendia bem demais para sequer perguntar. E, no fim das contas, estava tudo sendo melhor do que ela imaginara. A casa era grande e havia muito espaço para ela voar, ninguém a considerava uma criança então a ruiva tinha liberdade para ir e vir quando desejasse, o que mais ela poderia querer? Poucas semanas após ter se instalado, Harper decidira que era hora de conhecer um pouco mais sobre a Escócia, e um desses passeios a levou ao Real Jardim Botânico, a ruiva passando seu dia inteiro ali conhecendo as espécies mais estranhas e curiosas que ela sequer sonhara que existiam.
 
A Sinclair não era a aluna mais dedicada quando se tratava de herbologia, mas o lugar era tão lindo e havia tantas espécies diferentes que ela sequer sentiu o tempo passar, seu estômago irritado a informando no final da tarde que já estava na hora de ir embora. Sempre podemos voltar amanhã... Pensou enquanto saía do local, já se perguntando como faria para voltar para casa. Estava parada na porta quando de repente alguém um pouco mais distante lhe pareceu familiar, a ruiva apertando os olhos e se erguendo para ter certeza. Qual a chance de você estar confundindo com um outro meio-gigante? – Bo? Bo! – chamou em voz alta, balançando a mão para chamar a atenção do garoto. Felizmente ela não estava errada, Bo a reconhecendo e seguindo em sua direção. – Hey, quanto tempo, não sabia que você morava por aqui. – falou com um sorriso ao se aproximar, não conseguindo evitar que seus olhos o analisassem de cima a baixo. Ela sabia que era indelicado, mas a aparência do garoto a fez se perguntar se havia acontecido algo, suas vestes estavam rasgadas e havia algo vermelho em algumas partes que lhe parecia demais com sangue. – Está tudo bem? – perguntou vagamente, afinal de contas não queria parecer intrometida, estava apenas genuinamente preocupada com ele. Não que Bo precisasse, afinal de contas era mais velho que a ruiva e pelo menos trinta centímetros mais alto, mas era quase instintivo. Encontrar um rosto amigo tão longe de casa era reconfortante, apesar de tudo, fazendo-a se sentir minimamente conectada à Harper normal. – Você está ocupado? Estava pensando em procurar alguma coisa para comer, quer vir?
 
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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeDom 16 Jan 2022 - 23:23

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Nem de braços cruzados Bo conseguia cobrir o rasgo enorme na lateral de seu moletom. Mas ele continuava tentando esconder aquilo usando uma sacolinha de papel cheia de ervas que trazia na mão. O que nunca adiantaria muita coisa, pois seguia atraindo os olhares das pessoas em seu caminho pelo seu tamanho fora do normal e hematomas que marcavam o rosto. Depois de tantos anos, o normal é que ele já estivesse acostumado em estar maltratado daquele jeito. E ele estava acostumado. Mas não era sempre que ele precisava deixar as montanhas onde vivia com a mãe para visitar a cidade e ser visto daquela forma pelos trouxas. Normalmente, no meio das férias, ele deixava as montanhas para passar o restante dos dias livres de Hogwarts com os padrinhos. Período em que suas feridas saravam e ele voltava para escola com escoriações leves e manchinhas roxas que quase ninguém perguntava do que se tratava, no lugar do atual acúmulo de sangue ao redor do olho esquerdo, um corte no lábio, o queixo ralado e o nariz quebrado que ele colocaria no lugar mais tarde. O garoto não tinha um espelho nas montanhas, então não tinha ideia do quão feia era sua situação. E as poucas roupas que sua família gigante não conseguira destruir por completo, com certeza, ajudaram a atrair atenção das pessoas. Como o senhorzinho que não passava da altura dos cotovelos de Bo, que parou o menino e entregou algumas libras na mão dele, após sussurrar "não gaste tudo com drogas". — O.K… — foi o que ele conseguiu responder. Bo amassou as notas na mão e seguiu o idoso com o olhar enquanto ele se afastava, até que avistou, não muito longe dali, alguém com cabelos ruivos que Bo seria capaz de reconhecer até mesmo em uma multidão de irlandeses.

— Nãonãonãonão — ele andou depressa no sentido contrário, mas não depressa o bastante. Ele ouviu a voz de Harper chamar seu nome e um arrepio correu do topo de seu estômago para os pelinhos do braço. Bo se virou com os braços tão entrelaçados ao redor do moletom a ponto de sentir dor. A última coisa que ele precisava era que Harper o visse daquele jeito. Ele já se sentia constrangido com os olhares da corvina quando ele estava limpo e sadio, então ser visto daquela forma era a morte.  — Harper! — A voz saiu mais alta do que ele gostaria, atraindo ainda mais olhares, mas Bo ignorava e dirigia um sorriso a amiga. — Esse é último lugar que eu esperava te encontrar. — Não era surpresa para Bo que Harper fosse notar o estado dele, mas ainda assim ele se sentiu constrangido e se encolheu com a pergunta da menina. — Pois é… eu estou visitando minha família, os gigantes… e… eles são um povo difícil de lidar. — Antes que Harper se preocupasse, Bo alargou o sorriso para acalmar a imaginação da corvina sobre a convivência com os gigantes. — Mas eu estou bem! Não é nada que eu já não esteja acostumado. E eu sou mais resistente do que aparento. Aliás, eu só vim aqui para conseguir umas ervas para tratar estes ferimentos. Elas são difíceis de achar nas montanhas. — Bo mostrou a sacolinha de papel que trazia nas mãos, o que o fez se soltar do abraço que dava em si mesmo, deixando a mostra o rasgo na lateral da roupa. Mas Harper pareceu ignorar e fez a Bo o convite para comer algo. — Nem um pouco ocupado! E pode deixar que é por minha conta. — disse, apertando as notas dadas pelo velhinho que ele ainda segurava na mão, enquanto caminhava com Harper na direção de um dos quiosques que cercava o jardim.

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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeDom 20 Fev 2022 - 18:27

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Bom, férias com gigantes com certeza explicava muitos daqueles machucados. Harper pensou em se oferecer para colocar o nariz do garoto de volta no lugar, mas não queria constrangê-lo e, além disso, curandeirismo estava bem além de sua lista de talentos, sendo mais seguro que ela mantivesse sua varinha no bolso. – Sim, bem, tenho certeza que você sabe se cuidar. – falou piscando com um dos olhos e sorrindo. Eles seguiram lado a lado, procurando algum quiosque que não estivesse cheio de turistas empolgados fazendo muito mais barulho do que era necessário. Finalmente, acharam um que não parecia estar apinhado, Harper apontando para uma das mesas vazias. – Nada disso, eu faço questão, eu que convidei você, e além disso, estou tão feliz de ver um rosto conhecido que é o mínimo que eu posso fazer por você estar salvando minhas férias. Eles aceitaram o cardápio que lhes foi oferecido, a ruiva observando a fonte de água que ficava no meio dos quiosques, com crianças correndo ao seu redor. – Ah, Clarice também está aqui, mas, você sabe… As vezes também é bom ficar longe de todo o drama familiar. Sobretudo quando o drama familiar envolve um pai desaparecido reaparecendo para dizer que você vai precisar matar sua irmã daqui alguns anos. Ela não ousou verbalizar a última frase, ainda que confiasse em Bo, ela não estava pronta para conversar sobre a confusão que sua vida havia se tornado. A Sinclair analisou rapidamente o cardápio, decidindo pedir apenas um café e alguns biscoitos de chocolate. Eles fizeram o pedido e Harper prendeu o cabelo em um coque, irritada com o calor que fazia. 

– Então, além de passar tempo com a família, o que você tem feito por aqui? É minha primeira vez na Escócia, além de tentar recuperar o conteúdo perdido ao longo do ano, não tenho encontrado muito pra se fazer. Ela nem mesmo continuava treinando para o quadribol, embora ainda se permitisse sair para voar no início da manhã, quando o ar ainda estava úmido o suficiente para deixar seus cabelos levemente molhados quando ela voltava para o chão. O garçom logo se aproximou com a comida dos dois, Harper pegando um dos biscoitos e o jogando para o alto, pegando-o com a boca. – Bom, você sabe, o ano passado foi difícil… – começou com uma careta. – Cheguei bem perto de ser a primeira corvina a reprovar na história de Hogwarts, o que talvez fosse razão o suficiente para ser expulsa, então quero garantir que isso não se repita no próximo ano. Ela bebeu um pouco do café, sentindo a cafeína energizar cada célula de seu corpo, fazendo-a lembrar que sua última refeição fora na noite anterior, o que provavelmente fora uma ideia estúpida. – De todo jeito, acho que vou sair do time de quadribol esse ano para me concentrar mais na escola, parece a decisão mais sensata. Era também a mais deprimente, mas de todo jeito, ela precisava amadurecer e se concentrar em seu futuro, sua vida e a de Clarice dependiam disso. – O que significa que vocês, meus grandes amigos, serão a única parte divertida da minha vida, evitando que eu tenha uma trágica morte enterrada em livros chatos e anotações monótonas. 

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MensagemAssunto: Re: Real Jardim Botânico   Real Jardim Botânico - Página 4 I_icon_minitimeSex 10 Jun 2022 - 8:55


Enjoy The Silence

Há muito tempo não sinto esse tipo de paz, o que gera estranhamento e desconfiança, mas que não posso deixar de aproveitar porque não sei quanto tempo vai durar. É claro que para sair do meu esconderijo à luz do dia precisei fazer algumas alterações em meu visual, como colocar roupas que remetam à cultura trouxa, mudar a cor e o corte de cabelo e cobrir o rosto com maquiagem suficiente para disfarçar alguns dos meus traços mais marcantes. Pareço outra pessoa, eu me sinto outra pessoa. O que é bom, pois assim não chamarei atenção para minha pessoa. Meu passeio fora do esconderijo se limita ao Real Jardim Botânico, busco uma sombra debaixo de um salgueiro e me sento para ler um livro, ou ao menos isso é o que parece. Com os óculos escuros, consigo disfarçar bem que na verdade estou a observar o movimento em busca de um determinado alguém. Cabelos ruivos, olhos azuis, sardas… Encontro a mulher do outro lado do parque caminhando tranquilamente com um cachorro de pequeno porte na guia. Ela se senta em um banco na sombra e toma um gole de sua água. Se não estou enganada, aquela é Rebecca Sinclair, a mulher que estive procurando nos últimos dias desde que soube do seu retorno à Grã-Bretanha. Embora eu não veja nada demais em sua aparência, sei que seus conhecimentos serão úteis para mim, assim como as informações que sei que ela sabe sobre o mundo do crime naquela parte da Europa. Levanto-me da grama e limpo o vestido, coloco o meu livro de Jane Austen dentro da bolsa e sigo na direção da mulher, sendo discreta e calma em meu caminhar.



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