Não estava com ânimo para ficar de estátua no meu apartamento. O Dia está perfeito, do jeito que eu gostava. Nublado. Nuvens escuras tampavam o sol que tentava, com todo seu brilho, lançar-nos de lá do céu alguns dos seus raios. Fracasso. As nuvens me passavam uma sensação de estarem tão pesadas que a qualquer momento poderiam cair sobre minha cabeça.
Coloco um sobre-tudo preto e um chapéu da Saint Laurent e vou até o Jardim Real.
Era engraçado como dia após dia aquele lugar ainda estava magnífico, belo e deslumbrante. As grandes folhagens verdes e amarelas brincavam de chamar atenção. Mas a beleza que me transmitiam era pequena quando meus olhos tornavam para os brancos das Flores e Rosas pigmentadas e pingadas em vários lugares quebrados do Jardim.
Era inaceitável a discórdia do meu pai à questão "Morar em Hogwarts". Minha mãe, graciosa e calma, dona da marca da qual levo o nome, sempre com seus jeito tranquilo transmitia ao meu Pai que Hogwarts era mais segura do que a nossa própria casa - que já foi invadida três vezes por ladões e fãs - da Suécia. Mas a verdade é que ele não passa de um intolerante impaciente que quer tudo de acordo à sua maneira. 

Passo por uma pequena ponte de madeira clara. Lindíssima. Minha temporada na Escócia estava me agradando absurdamente. Eu vim aqui somente com meus pais, quando era apenas um bebê. Era bom ficar um pouco sozinho as vezes. O único problema da solidão é que você se sente mais derrotado do que todos os males da Terra tentando disputar força com Jesus.
Observo o Céu que antes ciza, agora estava misterioso. 
"Merda! Esqueci meu Guarda-Chuvas" - Penso com raivosidade. Não importava. Eu adorava tomar um belo banho de chuva. 
Sento-me em uma cadeira abaixo de uma grande e volumosa árvore que se encontrava por ali. Aquele lugar estava mais quieto do que os desertos pra lá de Bagdá. Acho que as pessoas tem juízo de não sair de casa nesse temporal que estava por vim. Eu não. Não tenho paciência para juízo.
Escoro minhas costas e fecho meus olhos. Estava tentando imaginar quão agradável seria ficar o dia todo sem ter que me preocupar com os altos e baixos da minha família. Quão agradável seria morar sozinho eternamente. Ou, simplesmente, dividir minha solidão com alguém digno de um caráter arrebatador - impossível de se encontrar no dias atuais - em algum lugar do mundo.
Respiro fundo aquele ar calmo e suave e fico ali.