Corujal: A Comissão de Julgamento de Duelos dispôs um tópico de sugestões para a reforma das Regras de Duelos do RPG. Opine. |
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| Autor | Mensagem |
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Bryan M. F. Donati Sonserina


Animal de Estimação: Coruja (Heir) Número de Mensagens: 1326 Família: Fontaine/Donati Habilidade: Metamorfomago Patrono: Gato Maine Coon Varinha: Carvalho Sangue: Puro Idade: 14
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 | Assunto: Re: Biblioteca Dom 29 Jan 2012, 21:59 | |
|  I'll be yours tonight Os raios não haviam colaborado com minha tentativa de acalmar a moça. Ela, na verdade, parecia ter ficado ainda mais assustada ao se encolher da forma que o fez. Era esquisito ver um adulto naquela posição. Principalmente, uma adulta que na certa seria uma bruxa, pois morava em um casa repleta deles. Ao ouvir meu nome, no entanto, algo se desfez em sua expressão apavorada. Assisti enquanto a tensão abandonava seus ombros, a rigidez abandonava sua face e um sorriso preenchia o local onde antes havia apenas um esgar de assombro. Ela ficava bem mais convidativa assim. E bonita, é claro. Ela era uma mulher muito bela.
Como se a cena anterior nunca tivesse ocorrido, ela deixou o livro que carregava de lado e se precipitou em minha direção. Por alguns instantes, pude jurar que ela iria me abraçar e uma cena bem confusa, melosa, e bem desconcertante para mim, se desenrolaria. Por sorte, ela pareceu pensar o mesmo pouco antes de concretizar suas ações inacabadas e se conteve. Olhando-a de perto, notava que era mais alto do que ela. Isso não foi surpresa, era mais alto que muita gente, mas, por alguma razão, ela fazia com que eu me sentisse menor. Até meio desprotegido diante dos seus olhos, repentinamente tão amáveis. Devolvi-lhe o sorriso, sentindo que dava um passo hesitante para trás. Quem ela era?
— Catorze. — respondi numa voz falha pela surpresa da transformação emocional da mulher. Então tornei a falar, com mais firmeza — Então a senhorita conheceu o meu pai? E a mim... quando era menor? — indaguei. Aquilo estava muito óbvio pela forma como me saudara após eu ter citado Enzo. Contudo, ainda era difícil me acostumar com qualquer pessoa que eu soubesse ter me conhecido numa fase da qual não guardava quase nenhuma lembrança e era cercada de inseguranças. Notei que queria ouvi-la dizer sobre aquele tempo, sobre meu pai e sobre como era nossa convivência naquele local. Queria conhecer o passado cujos detalhes me fugiam e as pessoas cujos laços eu fora incapaz de preservar devido ao tempo que passara longe, com a outra família.
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|  | | Karine L. DiBord Donati Adultos


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 | Assunto: Re: Biblioteca Seg 30 Jan 2012, 01:11 | |
| Karine DiBord Donati .................................... ¯ Bryan parecia desconfortável com a situação. Talvez Karine tivesse se precipitado ao demonstrar uma afeição repentina ao garoto. Notou isso ao ver que o mesmo se afastara um pouco dela, enquanto a informara que tinha apenas quatorze anos, e ja em seguida, indagou-a sobre como conhecia a ele, e a seu pai. Sorriu, dando um passo a frente. - Tem aparência de no minímo, uns 16 anos, Bryan. - Esticou seu braço alcançando sua mão sobre a mão esquerda de seu sobrinho, segurando-na. - Não precisa ter medo de mim. Venha, sente aqui comigo que lhe conto tudo. - Não esperou que dissesse sim ou não, simplesmente puxou-o, sem esforço, até o sofá. As mãos de Bryan eram macias como veludo, iguais a de Enzo. Algo que sempre deixara Karine com uma inveja boa do irmão, que conseguia tal proeza sem requisitar de produtos para tal resultado. Soltou a mão de Bryan assim que o mesmo sentara, como pedira. Seu olhar sobre Karine deixava transparecer quanto curioso e desconfiado o mesmo se encontrara. Deixou-o ali, enquanto pegara o livro que tinha jogado sobre o outro canto do sofá, guardando-o de volta em seu devido lugar. Voltou sem pressas, sentado-se ao lado de Bryan. Ainda sorria, admirando-o. Seu sobrinho era quase uma cópia original de Enzo. Até os olhos, castanho claro. Não havia a menor dúvida de que realmente era filho dele. - Seu pai era meu irmão. E eu te peguei no colo várias vezes quando era pequeno. - As lembranças começaram a surgir dentro de sua confusa mente. Viu o rosto de seu irmão sorrindo, ao lado de Rosalie, que estava com suas mãos pousadas sobre a barriga. Grávida de quase nove meses, pronta para dar a luz, mal sabiam o que aconteceria alguns dias depois. Karine balançou a cabeça disfarçadamente, tentando voltar a lembrar o que dizia, e a não deixar que a tristeza daquele dia voltasse a tona. Soltou um sorriso forçado de lado, olhando para baixo. Lágrimas queriam sair de seus olhos, mas tinha que controla-las. Depois de anos reencontrara o filho de seu amado irmão, e no primeiro encontro, ja iria espanta-lo com tamanha tristeza ? Não, não poderia. Inspirou fundo, erguendo seu olhar de volta a Bryan. - Desculpe, depois de tanto tempo e ele ainda me faz tanta falta - Falou-lhe num suspiro. - A peço novamente desculpas. Não me apresentei. Meu nome é Karine, a mais velha de suas tias - Riu timidamente. Esperava que o mesmo ainda não tivera conhecido a do meio, Beatrice. Concerteza não teria sido receptiva e o garoto poderia assustar-se, por serem irmãs. Não haveria como descobrir o que se passa nas mentes desses adolescentes, tão imaginativos e intuitivos. "From my boat I can see your house" |
|  | | Bryan M. F. Donati Sonserina


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 | Assunto: Re: Biblioteca Seg 30 Jan 2012, 02:06 | |
|  I'll be yours tonight A moça em minha frente não pareceu se incomodar muito com minha hesitação. Pelo contrário, pegou em uma de minhas mãos e a apertou, iniciando uma conversa amigável. Ela não era a primeira pessoa que me dizia que eu parecia mais velho e isso me fez dar um sorriso automático, educadamente. A mulher tinha olhos altivos, grandes e que prendiam. Tinha também um rosto marcante, difícil de se esquecer. Permiti que meu cérebro me convencesse de que era uma boa pessoa, por sua aparência e ações. Incitou-me a sentar num sofá e assim o fiz. Afastei algumas almofadas e me acomodei melhor, numa atitude que julguei ser senão descontraída, pelo menos receptiva.
Eu ainda desconfiava da moça e, por algum motivo, uma parte de mim me reprovava por isso. No entanto, a curiosidade levava a melhor. Sabia que ela havia conhecido o meu pai e seria bom ouvir um pouco sobre o meu passado longínquo. Não deu outra. Assim que ela abriu a boca outra vez, comprovou ser minha parente. Na verdade, era outra tia. Com ela, não foi uma surpresa tão grande. Ela não era uma mulher velha, era até jovem, mas não era tanto quanto Brianna. A primeiranista, sim, havia me surpreendido ao dizer que era minha tia. Ergui os olhos para ela quando contou que havia me pegado no colo quando era bebê. Aquilo me fez enrubescer ligeiramente e desviar o olhar. Eu ouvia os parentes distantes das famílias comuns dizerem aquilo com uma frequência absurda, mas ao ser direcionado para mim, soou muito irreal. Havia me acostumado com a ideia de que minha vida começara depois dos quatro anos, junto com meu avô. Reconstruir essa idade tão tenra agora e também lembranças das quais não conseguia recordar com facilidade era tentador e perturbador na mesma proporção.
Sorri com os lábios, incapaz de mostrar toda minha alegria com as lembranças, pois elas dividiam espaço com a angústia. A loira parecia reviver imagens às quais eu não fazia parte, sorrindo para mim com os olhos, o que era algo bem intenso e interessante de se observar. Notei quando algo em suas lembranças perturbou sua felicidade em estar ali comigo. Foi tudo muito rápido e não tive tempo de registrar o que poderia tê-la entristecido tão repentinamente. Num piscar de olhos, ela sorria outra vez e acabei ficando sem saber se imaginara sua reação estranha ou não. Minha confusão foi dispersa pelo diálogo que se prolongava.
As palavras de minha tia eram pontuadas por suspiros pesarosos. Achei-me um insensível por não estar colaborando de alguma forma, mas não sabia como proceder naquela situação. Movi a mão que ela segurava, apertando levemente a dela. Ela ergueu os olhos. — Também sinto falta dele. — murmurei e depois pigarreei baixo, ainda sem acreditar que já compartilhava emoções com uma recém-conhecida, que na verdade, não me era nada estranha. É verdade que não guardava muitas memórias de meu pai, no entanto, tivemos nossos momentos. E sentia falta de poder ter novos momentos. Algo que, obviamente, nunca aconteceria. Nem com ele e ainda menos com minha mãe. A minha vida de órfão não havia sido nada fácil, meu avô que o diria. Vovô... Pensar nele também doía.
— Karine... — repeti o nome para mim mesmo. A mais velha de minhas tias. Eu tinha... duas, não é? Karine e Brianna? — Por acaso você é irmã da Brianna? — perguntei, manifestando minhas dúvidas. Estava quase certo de que deveria ser. A menina também era irmã de meu pai. Com um soco no peito, percebi que Karine o conhecera muito melhor do que eu jamais pude ou poderia fazer. Naquele instante, eu a invejei. Invejei todos os anos que ela teve para conhecê-lo e viver com ele. Num ímpeto, quis soltar minha mão da dela. Senti-me culpado em seguida. A tia não tinha nada a ver com o que acontecera, com os desastres de minha vida. Deixei minha mão onde estava. Minha presença parecia fazer bem a ela. E não podia negar que a presença dela me fazia bem igualmente.
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|  | | Karine L. DiBord Donati Adultos


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 | Assunto: Re: Biblioteca Ter 31 Jan 2012, 03:02 | |
| Karine L. DiBord Donati .................................... ¯ Conforme a conversa fluia, Bryan parecia estar cada vez mais solto, seu olhar ja não trazia insegurança como minutos atrás. Seus olhos castanhos fixavam-se nos azuis de Karine, como que, pelo olhar, pudesse conseguir visualizar o que a mesma sentia, pensara. Odiava o fato de ser tão transparecente. Era como se não tivesse o direito de sentir-se triste diante do sobrinho. Sua dor concerteza era maior que a dela, e, os danos causados pela morte de seus pais poderiam ter-lhe trazido consequências maiores do que haviam trazido a ela.
Quando isso acontecera Bryan tinha apenas quatro anos. A idade em que crianças mais precisam do carinho e atenção de seus pais. E, para piorar, suas tias que deveriam cuidar-lhe, para ao menos amenizar a dor e o trauma que o garoto sentiria, simplesmente não ficaram a seu lado. Beatrice como sempre fria, não conseguia apegar qualquer laço a seu sobrinho e simplesmente deixou-lhe de lado. Brianna, pobre Brianna, era tão novinha. Outra criança entristecida com os acontecimentos, e obviamente não poderia cuidar de outra igual. Mas e Karine ? Justo ela, que sempre fora tão ligada a familia, viajou e deixou o sobrinho aos cuidados de seus avós por parte de mãe. Quando chegou, ja arrependida, não tinha mais volta. Passaram-se vários anos, Bryan ja estara praticamente um homem e a mesma havia perdido a chance de dar-lhe o amor que tanto precisara.
Mas ve-lo ali, sentado frente a frente, segurando e acariciando uma de suas mãos como se quisesse reconforta-la, aquecia seu coração. Talvez ainda desse tempo de recuparar o tempo perdido e consertar as coisas, ou ao menos parte delas. Levou sua outra mão que parmanecia pousada sobre sua coxa até o rosto de Bryan, deslizando seus dedos sobre o mesmo, e sorriu ao ouvi-lo comentar que também sentia falta de Enzo. Mas é claro que sentia. Enzo sempre fora tão bom pai, teria educado muito bem seu filho se ainda estivesse vivendo entre eles.
Permaneceu apenas mais alguns segundos daquela maneira, logo retirando mão sua mão da face do sobrinho ao notar que suas maças começaram a tomar cor. Não queria deixa-lo constrangido. Vai que ele resolve-se sair do recinto por não gostar de carinhos vindo de estranhos. Apesar de ser tia, ele só havia descoberto aquilo minutos atrás, o que ainda não tirava Karine da zona dos desconhecidos. Quando começara a abrir a boca para pedir novamente desculpas pelo ato impulsivo, Bryan o faz antes, perguntando-na se seria irmã de Brianna. Ao menos ele havia conhecido a mais boazinha. Karine ainda teria tempo para lidar com a outra irmã, Beatrice, antes que ouvesse o encontro entre eles. Agora que o mesmo voltara a mansão, isto seria algo inevitável. - Sim, é minha irmã mais nova. Ao menos ja conheceu a tia mais descontraída. Aposto que se derão muito bem. - Deu outro sorriso, completando - Agora só falta conhecer Beatrice. Provavelmente a achara a mais chata do trio, ou não. - Terminou, inspirando para pegar folêgo e continuar - Então ira ficar definitivamente por aqui,querido ? - Indagou-o, ja pensando nas possibilidades de coisas que poderiam fazer juntos para recuparar o precioso tempo que havia perdido sem ele. "From my boat I can see your house" |
|  | | Bryan M. F. Donati Sonserina


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 | Assunto: Re: Biblioteca Ter 31 Jan 2012, 12:12 | |
|  I'll be yours tonight Permaneci esperando uma resposta da parente recém-descoberta. Por mais que tentasse me enganar, sua expressão genuína impedia que eu continuasse desconfiando de suas intenções bondosas. Ela estava mesmo contente por eu estar de volta e aquilo provocou um estremecimento interior ao qual eu não estava acostumado. Uma sensação de bem-estar, de aceitação que raramente sentia. Algo que eu esperava sentir... de uma mãe. A sensação incômoda contrastava com um conforto esquisito que foi intensificado pela outra mão de Karine, surgida do nada e posta em meu rosto com doçura. Não consegui perdurar o contato de nossos olhares, então direcionei minha visão para o resto do aposento.
Havia tantas estantes... Descobri-me perguntando a mim mesmo quanto tempo haveria demorado para que tudo aquilo constituísse aquele cômodo de forma tão alinhada, rica e coesa. Se haveriam sido anos ou minutos, dada a ostentação que cada centímetro do local parecia exibir. Até a tia que eu evitava encarar parecia imersa numa atmosfera luxuosa que se manifestava na presença das pessoas certas. O que tornava a cena ainda mais estranha. Como se fosse um daqueles joguinhos de adivinhar o que estava diferente dentro de um grupo de coisas. Estantes caras, biblioteca gigantesca, tia linda e rica, garoto de catorze anos com roupas simples. Ironia maldita.
Por fim, senti que o contato com meu rosto era abandonado pela maciez da palma da mão de Karine. Na verdade, havia sido algo bem rápido, mas minha surpresa e inadequação agigantaram minha noção de tempo. Ela agora me respondia, contando sobre minhas tias num tom mais leve. Eu escutava tudo assentindo com a cabeça e fazendo uso de sorrisos quando julgava serem ocasiões apropriadas. Então existia outra tia... Pela forma como Karine a retratou, tive certeza de que não se tratava de uma princesa saída de um conto de fadas. Pelo menos não em relação a parentes perdidos no tempo, ressurgidos depois de dez anos.
Toquei-me de repente que Karine parara de falar e deixara uma pergunta no ar. Retrocedi o que havia escutado e peguei a ponta solta que deixara escapar. — Hogwarts começará logo... Passarei bastante tempo lá. Mas tenho pensado em fazer visitas nas férias. — se alguém aqui quiser minha presença, obviamente. No entanto, a expressão interessada de Karine me fazia acreditar que ela ficaria, sim, contente com encontros futuros com o sobrinho.
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|  | | Karine L. DiBord Donati Adultos


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 | Assunto: Re: Biblioteca Qui 02 Fev 2012, 03:07 | |
| Karine L. DiBord Donati .................................... ¯ Bryan só tinha quatorze anos, mas é claro que não passaria todo o tempo que Karine esperava na mansão. Teria muitos anos de estudo á frente, era apenas um menino, e não um homem como ja aparentava ser. Karine deixou transparecer pela sua face a decepção que tomara. Então só teria os poucos dias de férias para aproveitar ao lado do sobrinho. E claro, se ele ainda quisesse o mesmo que ela. Tentou manter um sorriso em seu rosto, com seus olhos sempre fixados nos de Bryan, porque, mesmo sendo de uma tonalidade totalmente difente, o brilho dos mesmos eram idênticos aos de Enzo - Claro. Me esqueci totalmente da escola. - suspirou, continuando - Pena que suas férias duram tão pouco. Poderíamos fazer tantas coisas. Mas o estudo é essencial em sua vida, principalmente trantando-se de magia. - Terminou, soltando lentamente sua mão da dele e, em seguida, apoiou-a sobre o sofá levantando-se.
Deu apenas quatro passos, chegando até frente de uma das estantes. Deslizou o indicador da mão direita sobre os livros de cada avermelhada, sentindo a aspereza dos mesmo tocando sua pele. Retirou um deles com a mão esquerda, enquanto a da direita se encaixava no buraco feito pela ausência do outro livro, caçando algo por detrás dos demais. Karine havia escondido um diário que Enzo escrevera durante todo o tempo que conseguiu desfrutar das coisas boas da vida. Tinha o achado em uma de suas vindas ao antigo quarto de seu irmão. Apesar de ter sido redecorado, alguns detalhes permaneciam intactos como o mesmo havia deixado. Principalmente um quadro de tamanho mediano, pendurado no meio de uma das paredes. Naquele dia em especial, Karine levou-se a querer mexer átras do mesmo. O levantou, passou a mão por detrás e sentiu uma grande curva que não fazia parte do objeto chocar-se com seus dedos. Puxou-o, e pela dificuldade em retira-lo, chegou a conclusão que o mesmo estaria preso por alguma coisa. Era como um livro, a capa era de cor esverdeada, mas não continha algum título. Ao folhea-lo, notou que as palavras dentro do mesmo haviam sido escritas com a letra idêntica a de seu irmão. E realmente, eram as dele. Não conseguira arranjar coragem para lê-lo, por isso, o escondeu no intuito de que, quando criasse-a, conseguisse desvendar o que tanto havia por entre aquelas folhas manchadas de tinta. Mas e Bryan ? Ele teria mais direitos do que ela de ficar com tal objeto. Era de seu pai, precisaria dele mais do que qualquer outra pessoa.
Depois de alguns minutos sobre o olhar atento do mesmo, Karine conseguiu alcançar o objeto, retirando-o da estante. Segurou-o com as duas mãos, suspirou e voltou caminhando até o sobrinho. Acomodou-se ao seu lado, colocou o livro sobre suas pernas e sorriu. - É seu. - disse, observando-o. "From my boat I can see your house" |
|  | | Bryan M. F. Donati Sonserina


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 | Assunto: Re: Biblioteca Qui 02 Fev 2012, 21:07 | |
|  I'll be yours tonight Havia, então, aquele desconforto acentuado que, tornou-se, aos poucos, uma sensação suportável e, algum tempo depois, uma proporção ínfima comparada ao retrato de todas as outras situações do momento. A mão de Karine, portanto, juntava-se à cena como integrante, e não mais um componente externo, estranho, que provocasse rejeição de minha parte. Em outras palavras, sentia-me simplesmente tranquilo com sua presença. A acomodação acontecera mais rápido do que poderia prever. Nunca antes havia acolhido uma adulta tão bem como estava fazendo com ela. Por outro lado, nunca antes haviam me tratado tão maternalmente como ela se empenhava em fazer. Parecia uma retribuição involuntária que precisava prestar a ela depois do carinho que vinha representando.
Seu toque durou tão brevemente quanto a sensação incômoda, que decidiu me abandonar quase que simultaneamente à ideia de minha tia de descolar nossas mãos unidas. Entretanto, o rompimento do contato foi acompanhado de mais uma frase carinhosa. Karine parecia se importar, inclusive, com minha educação mágica, pelo que disse. Acreditei em sua expressão desapontada por eu ter que partir logo e não podermos fazer "tantas coisas", como ela dissera. Por enquanto, a expressão que ela usara resumia-se, em minha opinião, a conversar sobre o passado. Ela parecia ter outros planos, todavia.
Ergueu-se do sofá e caminhou até uma das estantes abarrotadas de livros, tocando as capas que envolviam as histórias existentes dentro deles. Senti-me confuso. Aquela era a maneira não muito convencional da mulher de encerrar uma conversa ou deveria permanecer sentado ali? Enquanto enfrentava esse dilema, não levantei de onde estava. Limitei-me a observar a irmã de meu pai, apenas imaginando o que ela estaria pensando.
Tinha a impressão de que seu exame não estava sendo aleatório. Sabia o que queria e estava buscando por entre as lombadas dos exemplares existentes um título em particular. Estava numa seção com muitos livros vermelhos e, por fim, escolheu um deles, retirando-o da ordem que mantinha com os outros. Esperei que ela o abrisse, procurasse um capítulo em particular ou pelo menos desse alguma atenção a ele. Contra todas as minhas suposições, deixou-o de lado e meteu a mão no compartimento vazio; claramente, via-se que era um esconderijo. Do vão descoberto por ela, brotou um caderno esverdeado e desbotado, aparentando idade considerável. Não entendia como poderia pensar isso, mas concluí que tinha a ver comigo.
Não deu outra. Ela retornou, pôs um sorriso no rosto e depositou o que levava em meu colo. Encontrei o olhar dela, expressando desentendimento em meu rosto. O que era aquilo? Como algo poderia estar guardado para mim há tantos anos... Se ninguém sabia, com precisão, quando eu voltaria? Passei os dedos pela superfície do que se provou ser um diário, analisando as primeiras palavras que compunham as páginas iniciais. Eu reconhecia aquela caligrafia. Eu havia escrito aquilo? Mas não me lembrava de ter utilizado aquelas frases alguma vez na vida ou de ter sequer vivenciado os locais e situações retratados. — Eu não entendo... — murmurei, deslizando os dedos até o final de uma folha qualquer, que marcava o fim das anotações de um certo dia. Dividindo o espaço com o ponto final, havia uma assinatura de tamanho médio. Era de Enzo. O diário era dele.
O objeto tremeu por breves instantes em minhas mãos antes que eu me estabilizasse. A letra de meu pai era praticamente idêntica à minha. Olhei para Karine, emocionado demais para dizer qualquer coisa. Era uma herança que meu pai me passava, somente possível através da mulher a minha frente. — Obrigado. — balbuciei roucamente, fechando o diário. Perscrutei seu olhar, incapaz de dizer mais. Apenas abri um sorriso enviesado totalmente sincero.
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|  | | Karine L. DiBord Donati Adultos


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 | Assunto: Re: Biblioteca Seg 06 Fev 2012, 02:02 | |
| Karine L. DiBord Donati .................................... ¯ Bryan abriu-o, analisando cada centímetro e cada palavra daquele espesso diário. Mantinha uma expressão de curiosidade conjunta de incompreensão em sua face, transparecendo os sentimentos ocasionados pelo momento.
Karine observava-o atenta, preparando-se psicológicamente para o momento em que o mesmo explodiria de tantas questões levantadas em sua mente, que caberiam apenas a ela responde-las; independente de quão complexas e dificeis fossem. Não sabera se tivera agido corretamente, entregando algo tão valioso - e imprescindível; assim tão de repente. Talvez tivesse sido melhor se a mesma tivesse esperado o momento certo, explicando-lhe do porque de ter escolhido dar a ele o diário quando poderia tê-lo pego para si. Entretanto, nada disso fora necessário. Os olhos castanhos de seu sobrinho transmitiam emoção, e seu brilho intenso lhe informava que lágrimas queriam sair; mas estavam apreendidas. O mesmo não conseguia formular frases, apenas murmurrou um obrigado sincero. Suas mãos tremiam, o baque havia sido forte. Karine levou as suas que permaneciam pousadas sobre as coxas , sobre as dele. Acariciou-as, sentindo novamente como a pele de Bryan era macia. - Enzo, como preciso de você, agora - Pensou, abrindo um sorriso doce para o sobrinho. - Não agradeça. Isso era seu por direito Bryan. - Disse meio a sorrisos; e agora deslizava seus dedos para a palma das mãos do mesmo, apertando ambas levemente. - Depois que ler, se quiser, pode me contar o conteúdo deste diário. - Complementou, piscando com o olho azulado esquerdo e, por fim, terminou. - Mas antes venha cá, me de um abraço. Não aguento mais segurar esta vontade. - Puxou-o lentamente pelas mãos. No começo, Bryan parecia relutante, como se o abraço não fosse uma boa idéia, mas por fim, acabou cedendo.
Rapidamente seus braços ja estavam envolvidos em torno da cintura de Karine, e os das mesma, por volta do pescoço do sobrinho. A sensação era ótima, era como se novamente estivesse abraçando Enzo. O calor do corpo de filho e pai eram iguais; seu cheiro; a pele macia. Por um momento teve vontade de chorar, mas se conteve. Apenas apertou-lhe mais e, em seguida, roçou seus lábios na maça do rosto quente do mesmo, beijando-a. Para sua surpresa Bryan não parecia incomodado, pelo contrário, retribuía seus apertos com outros parecidos e, também, suas maças não haviam corado, como achava que iriam após o doce beijo. Karine não terminaria o abraço até o sobrinho o fizesse.
Com as aulas do mesmo começando, não teria como saber quando faria aquilo novamente. E juntamente vinha o medo de que o sobrinho achasse estranho o tanto de carinho que a mesma sentia por ele, mesmo depois de tantos anos sem o vê-lo."From my boat I can see your house" |
|  | | Bryan M. F. Donati Sonserina


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 | Assunto: Re: Biblioteca Seg 20 Fev 2012, 20:27 | |
|  I'll be yours tonight A revelação de que Enzo possuía um diário secreto contrabalanceava a emoção que sentia ao entender que, após tantos anos, tinha em mãos algo que, de fato, pertencera ao meu pai. Não algo trivial, como um pente ou uma meia, mas algo decididamente íntimo, repleto de seus pensamentos, indagações e posicionamentos diante de todos os dilemas que enfrentara durante sua vida, extinguida tão tenra.
As mãos de Karine surgiram de algum lugar, dando-me o apoio que eu precisava para não desabar. Não tinha nenhuma intenção de chorar, mesmo que fosse na frente de uma pessoa que, eu devia confessar, já me conquistara. Ainda assim, era difícil para mim demonstrar essa fraqueza tão intensa que sentia e que desejava manter guardada secretamente para sempre, se possível. Lancei-lhe um sorriso mínimo somado a um expressar dos olhos que queria significar tudo aquilo que não podia ser dito através de meras palavras. Sua voz escapava suavamente de seus lábios rosados, desenhados belamente num sorriso bem feito. Disse-me que, caso quisesse, poderia contar a ela o conteúdo do diário posteriormente.
Algo alardeou momentaneamente em minha mente e soube que era um pequeno muro que se erguia. Não sabia o que eu encontraria naquele livro, naquelas anotações tão pessoais, e intuía que talvez nem eu devesse ler, quem dirá contar a tia recém-descoberta. No entanto, seu olhar sincero permanecia pousado em mim, desejando nada além do que abraçar-me e me alegrar. Prometi a mim mesmo que procuraria revelar a Karine tudo o que houvesse no diário. Alarguei infinitesimalmente meu sorriso e acenei com a cabeça uma vez apenas. — Não se preocupe; você saberá. —afirmei com veemência.
Talvez ela tivesse notado o impasse em que eu me encontrara momentos antes, mas se o fizera, aparentemente não se importara. Puxou-me para um abraço, delatando uma vontade que parecia estar sendo guardada há vários minutos, enchendo minhas narinas com seu perfume doce e meus braços, de seu calor maternal. Foi impossível não me deixar levar pela sensação de pertença que me engolfou, levando para longe uma leve relutância que se manifestara primeiro com a demonstração de afeto da bondosa tia. Ela merecia uma chance, uma abertura de minha parte. E eu estava me empenhando em demonstrá-la da melhor forma.
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|  | | Karine L. DiBord Donati Adultos


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 | Assunto: Re: Biblioteca Ter 24 Abr 2012, 02:28 | |
| Karine L. DiBord Donati .................................... ¯ Bryan aconchegou-se em seus braços com total ternura, permitindo sutilmente que a lembrança dos anos em que Karine esteve ausente e, assim como uma brisa de vento leva consigo uma folha seca, fosse finalmente levada embora, preenchendo o seu lugar com um afeto caloroso. Tia e sobrinho permaneciam abraçados, e nem um nem o outro parecia ter o intuito de se afastar. Pelo menos Karine tinha a certeza de querer continuar entrelaçada com Bryan por um bom tempo, mesmo sentido que se pudesse ficar a noite toda assim, ainda não seria o suficiente para esgotar toda essa saudade implantada em seu coração.
Abriu seus olhos por um momento, obsevando logo o grande relógio de madeira colocado ao lado de uma das estantes, ou melhor, seus ponteiros, no qual marcavam que logo a exuberante Lua exposta no céu, daria lugar a luz, ao Sol.
Iria amanhecer e a mesma e Bryan ainda não haviam dormido nem sequer alguns minutos. Agora, indo totalmente contra sua vontade, foi suavemente deslizando seus braços do sobrinho, trazendo-os de volta para si. Deu um pequeno passo para trás e sorriu docemente. - Ja está muito tarde, melhor dormirmos. - Bryan prontamente olhou para o relógio, logo virando-se de volta para Karine ,e concordando que deveriam ir para seus quartos. - Eu te acompanho até o corredor querido. - Karine estendeu sua mão para o mesmo, que se prontificou a pega-la e segura-la, e com a outra mão segurou o diário levando-o consigo.
Sairam da biblioteca e logo subiram as escadas em meio a escuridão até o segundo andar, se despediram com outro, porém curto abraço e Karine voltou a subir o restante das escadas, a fim de chegar até seu aposento. Fora uma noite entristecida, porém feliz. Entristecida pelo fato de ter resgatado a lembrança de Enzo e as saudades que sentia do irmão, mas com isso, conseguiu se aproximar mais do amado sobrinho. No fim, havia valido a pena. "From my boat I can see your house" |
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